sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Tia Sula

Acorda com o sol esquentando seu antebraço direito. Serpenteia a preguiça pelo lençol, ri para o teto e num salto marsupial cai ereta, do lado de fora do sono. Respira. Arrasta os chinelos rosa-fofos até a cozinha. Toma água. Água é vida.


Liga a radiola gritante: “Last night she said / Oh, Baby, I feel so down”. Embalada por acordes Strokeanos, ferve água. Prepara o chá dançante. Está de férias na casa da praia emprestada. Tira a cueca e o camisetão e se besunta no protetor 50. Ama o sol, mas a pele branco-porcelana exige cuidado. Chapelão, óculos escuro Jacque Onassis, um maiô de duas peças verdeáguacorroído. Sai, rumo à imensidão azul, saboreando uma cenoura.

Cheira a maresia para lembrar o quanto é feliz. Tem apenas cinquenta e dois anos, oito sobrinhos e uma vida inteira pela frente. Arrota laranjado e corre chutando areia salgada pra cima.

M.W.

3 comentários:

EVE disse...

Adorei isso!

Lipe disse...

Etaaaaaaaaaa
Nada como uma sexta de pré-carnaval para inspirar!!!
Irado Mô!
Bjão!

Giovanna disse...

Tia Sula me lembra os tempos de Iesde...
Muito bom seu texto, Mô!
Gosto de textos curtos e diretos!
Bjos.